Translating Digital Marketing Content

For about two years, I’ve been working as a translator and as a reviser of marketing material for companies of all sizes, mostly from English into Portuguese. Some colleagues understand and classify this type of translation as a different field of specialization called transcreation. Others say it´s just translation. The truth of the matter is that we must be a bit more creative than usual and convey not only the message, but the impact it has on the public, using idioms and proper syntax. And this is not easy. In this post, I’d like to share two thoughts on this.

Firstly, in my opinion, in order to deliver quality marketing translations, we have to be constantly reading good magazines in the field and reviewing the latest, most relevant advertising in the target country. But more often than not, the quality of the text in Brazilian magazines and ads is not of a high-level. As a result, to improve our text we should rely on our best writers, no matter what the genre is: novels, articles, short stories, poetry, or plays. And marketing translators should start to think about becoming good marketers as well to deliver top-notch translations in this field.

Secondly, we should be aware that some verbs (mainly in the imperative form) and expressions that marketers typically use in English don’t sound good or natural when translated literally into Portuguese. If you don’t search for creative solutions, your text will smell like translation. I see this mostly in my job as a reviser. And as translators, we must develop the ability to detect the pitfalls and avoid them. I’ve made a small list of tricky yet appealing English verbs and expressions, and would like to share it with you in a series of posts. Here is the first verb on my list.

Drive. Definition (entry #8) in the Oxford Dictionary: cause something to make progress, drive something to influence something or cause it to make progress. Examples: drive success, drive unique experience, drive growth.

Translators almost always translate this verb as ‘impulsionar’. This Portuguese verb is being used more than ever. Nothing against it, but as far as I’m aware, we don’t say ‘impulsionar’ very often. So why use it all the time when it comes to writing digital content?

Sometimes a different solution conveys the message more naturally: ‘oferecer experiências’ instead of ‘impulsionar experiências’, and ‘oferecer/entregar melhores serviços’ or ‘aperfeiçoar/atualizar/modernizar os serviços’ instead of ‘impulsionar melhores serviços’. Sometimes it is better to step back from the source and think in the target language. Example: ‘to create experiences that drive more impact for customers’: ‘criar experiências de maior impacto sobre os clientes’ instead of ‘criar experiências que impulsionam mais impacto sobre os clientes’.

The next tricky verb on my list is to get. If you have any suggestions for verbs that should be added, please leave your comment. Thank you for reading and speak soon!

Photo by Merakist on Unsplash

Madonna em português

 

“O mundo é selvagem. O caminho é solitário.” Mensagens pouco otimistas, mas em português e na voz de Madonna, no refrão da faixa Killers Who Are Partying, do novo álbum, Madame X. Tudo indica que, morando em Lisboa, a rainha do pop se encantou com a língua de Camões. Ficou bonito o diálogo inglês/português permeando a canção, que também “diz”: “Eu sei o que sou e o que não sou.” Deixo aqui o link para o vídeo. Até a próxima!

Espanhol x português: regência diferente (6)

Jugar a x jogar:

No sentido de realizar um jogo, passar o tempo com um jogo, em português o verbo jogar é transitivo direto. Assim, dizemos jogar futebol, jogar bola, jogar vôlei, jogar xadrez etc. Já no espanhol da Espanha, o verbo jugar, nesse sentido, é usado com um complemento indireto: jugar al fútbol, jugar al balón, jugar al vóley, jugar al ajedrez etc.

 Exemplos:

“Como quem não quer nada, procurei avistar-me com Padilha moço (Luís). Encontrei-o no bilhar, jogando bacará, completamente bêbedo.” (Graciliano Ramos, em São Bernardo)

“`[…] ciudades como Barcelona, en cuya normativa se sitúa la prohibición de jugar al balón desde 2005 y en la que se llegó a instaurar también carteles proclamando el veto.” (El País)

Imagem: elpais.com

Espanhol x português: regência diferente (5)

Tener miedo a/de algo o alguien (es) x ter medo a/de algo ou alguém (pt)

Embora ambas as preposições (a/de) sejam possíveis em ambos os idiomas, na Espanha ouço mais dizerem tener miedo a. No Brasil, ouvia mais ter medo de. No Brasil, Os Três Porquinhos cantavam: “Quem tem medo do lobo mau?” Aqui na Espanha, como podem ver na capa do livro abaixo, ¿a quién tiene miedo Caperucita Roja?

Sons das cousas

O título deste post é também o de um capítulo do livro Vocabulário Analógico, de Firmino Costa. A edição que eu tenho é dos anos 1930, comprada num sebo, e já tem as páginas bem amareladas. Mas resiste e ainda é de grande utilidade.

Por exemplo, vocês sabem que palavra dar para o som das coisas?

Aqui vão alguns exemplos, tirados do livro: o burburejar da água, o chiar dos alimentos ao fogo, o galope/tropel dos animais, o estridular do apito, o farfalhar das árvores, o fonfonar dos automóveis, o frêmito das asas, o assobio da bala, o estalar do beijo, o estouro da bomba, o barulhar do bonde, o ranger das botinas, o tilintar da campainha, o retumbar/ribombar do canhão, o chiar do carro de bois, o estalido do chicote, o tilintar dos copos, o tinir das esporas, o restrugir do ferro, o crepitar do fogo, o arquejar do fole, o bater das horas, o bramar do mar, o ranger da pena (de escrever), o bater/ranger da porta, o badalar do sino, o atroar do trovão, o burburinhar do vento, e por aí vai.

Ainda bem que ainda existem esses tesouros que preservam o esplendor da língua portuguesa.

Um abraço, e até a próxima.

Espanhol x português: regência diferente (4)

“Aprender de alguien” (es) x aprender com alguém (pt). Embora também seja possível, em português, dizer “aprendi de meus pais”, o mais frequente é dizer “aprendi com meus pais”. Já em espanhol, o mais frequente é dizer “aprendí de mis padres”.

Exemplos: (es) “Sin duda, el paso del tiempo a veces es algo agradable y solo basta con mirar para ver, para aprender de los errores, para redecorar la casa que habitamos y limpiar el polvo de las esquinas.” Fonte: El País

(pt) “Que aprendi contigo? Aprendi a olhar uma pessoa trançando fios elétricos.” (Clarice Lispector, em “A paixão segundo G.H.”)

Traducción de eslóganes

Cuando veía el cartel del PSOE con la foto de Pedro Sánchez y el eslogan «Haz que pase» me quedaba pensando en posibles traducciones al portugués. Algunas posibilidades: «Faça com que aconteça» y «Faça acontecer». La traducción del verbo pasar como «passar» (en portugués) no es posible aquí, porque transmitiría lo contrario de lo que se pretendía con el mensaje. En portugués, «Faça com que passe» sería interpretado —casi seguro— como «haz que se acabe», es decir, el partido se daría un tiro en el pie.

También en español este eslogan puede tener doble sentido, por las distintas acepciones del verbo pasar en la lengua de Cervantes. Sin embargo, creo que la interpretación contraria aquí dependería de la orientación política del receptor, y eso ya es otra historia.

Imagen: 20minutos.es

Espanhol x português: regência diferente (3)

Esperar a alguien (es) x esperar alguém (pt): em espanhol, “esperamos a alguien”. Já em português, esperamos alguém, ou por alguém, neste caso com certa carga afetiva: “esperei por ela”. Fontes: El libro del español correcto (Instituto Cervantes) e Dicionário de regência verbal (Celso Luft).

Espanhol x português: regência diferente (2)

Se parece a (es) x se parece com (pt): embora em português também seja possível dizer “ele se parece ao pai”, o mais comum é ouvirmos “ele (se) parece com o pai”. Já no espanhol, o mais comum é “se parece a”: “La música que más se parece al flamenco es la clásica” (Fonte: ABCdesevilla).

Regência: um dos caminhos para evitar o “portunhol” (1)

Uma diferença sutil mas importante entre o português e o espanhol é a diferença de regência, tanto verbal como nominal. Muitas vezes percebo que o falante de espanhol é português ou brasileiro (um deles sendo eu mesmo) pela influência da regência do idioma nativo, e vice-versa.
 
Hoje quero inaugurar uma série de pequenas postagens sobre essas diferenças. Vou utilizar, entre parênteses, as siglas (es) para espanhol e (pt) para português, e exemplificar com passagens de jornais e livros. Entre minhas obras de referência estarão o Dicionário de regência verbal, de Celso Luft, e El libro del español correcto, do Instituto Cervantes.
 
1. Diferente a (es) x diferente de (pt)
 
O espanhol permite a regência “diferente a”. Já em português, dizemos sobretudo “diferente de”:
 
(es) “Boston es diferente a las ciudades americanas…” (jornal ABC), “La Italia de hace treinta años es muy diferente a la actual…” (jornal El País);
 
(pt) “— Dei uma caminhada grande; mas, sim, senhor, isto aqui é bonito, é curioso; aquelas praias, aquelas ruas, é diferente dos outros bairros.” (Quincas Borba, de Machado de Assis), “Descobrimos outro Brasil, tão diferente do Amazonas (…)” (Um solitário à espreita, de Milton Hatoum).