Comparativa: derecho concursal en Brasil y en España

En esta breve comparativa, comento las diferencias verificadas en el tratamiento de la insolvencia y la quiebra de empresas en Brasil y en España. Tras analizar la legislación vigente en ambos países, llego a la conclusión de que las figuras jurídicas y su tratamiento son bastante parecidos, con algunos matices que destaco a continuación:

  1. Legislación vigente:
  • Brasil: Ley nº 11.101, de 9 de febrero de 2005
  • España: Ley 22/2003, de 9 de julio, Concursal (vigente hasta el 1 de septiembre de 2020, cuando entrará en vigor el Real Decreto Legislativo 1/2020, de 5 de mayo, por el que se aprueba el texto refundido de la Ley Concursal)
  1. Terminología básica:
  • Brasil: recuperação judicial, falência, recuperação extrajudicial
  • España: concurso de acreedores, (que puede resultar en convenio o liquidación) y acuerdo extrajudicial de pagos
  1. Procedimientos:

Ambos países contemplan la posibilidad de un acuerdo extrajudicial entre deudor y acreedores, pero hay particularidades propias de cada uno. Mientras en Brasil (recuperação extrajudicial) no se prevé la figura del mediador del acuerdo, en España (acuerdo extrajudicial de pagos) sí se prevé el nombramiento de un mediador concursal para este procedimiento extrajudicial. Alcanzado el acuerdo, en España se eleva a escritura pública y posteriormente se le comunica al juzgado competente para que declare el concurso y publique el acuerdo en el Registro Público Concursal. En Brasil se prevé la necesidad de homologación del acuerdo por el juzgado competente.

Ya en cuanto a la vía judicial, también hay similitudes entre ambos países. En Brasil se habla de recuperação judicial, si hay posibilidad de recuperación de la empresa, y falência, si no la hay. Ya en España se habla de convenio con los acreedores, por un lado, o de liquidación, por otro. El término quiebra (falência, en portugués), por tanto, no se usa en la legislación española. Es más bien un concepto general.

Para concluir, en ambos países el procedimiento inicial y menos grave (recuperação judicial en Brasil, concurso de acreedores en España) se puede convertir en el más grave (falência en Brasil, liquidación en España) si no hay posibilidad de convenio.

Espero que os haya sido útil, y vuestros comentarios son siempre bienvenidos. ¡Hasta la próxima!

Enlaces para el texto de las leyes citadas:

 

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Expresiones con «leche»

En España hay muchas expresiones con la palabra leche, me parece que muchas más que en Brasil. Y lo curioso es que ninguna de las expresiones portuguesas que serían equivalentes a las españolas lleva leche en sus ingredientes. Mejor dicho, casi ninguna, como podéis ver a continuación:

  1. A toda leche > a todo vapor, a toda velocidade, a todo volume (si estamos hablando de sonido)
  2. Darle a alguien una leche > dar uma bofetada, um sopapo, um tabefe (aquí sí que hay leche en los ingredientes, porque tabefe es una especie de cuajada)
  3. De mala leche > de mau humor
  4. Irse/salir echando leches > sair correndo

Según la explicación que he encontrado en el Diccionario de dichos y frases hechas, de Alberto Buitrago, leche es un eufemismo para hostia, pero también puede aludir al semen. El caso es que en Brasil no tenemos la misma relación con la palabra. Tomemos como ejemplo tres expresiones en portugués:

  1. Esconder o leite (literalmente, esconder la leche: no revelar las posesiones, los bienes propios)
  2. Tirar leite de pedra (literalmente, sacar leche de una piedra: conseguir lo imposible o buscar donde no existe)
  3. Chorar o leite derramado (literalmente, llorar sobre la leche derramada: llorar por algo ya consumado, ya hecho y que no se puede cambiar)

Hasta aquí esta breve comparativa de la relación de las dos culturas con la leche. Espero que os haya sido útil.

¡Hasta la próxima!

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Fuentes:

  • Diccionario de dichos y frases hechas. Alberto Buitrago. Espasa: Salamanca, 2007.
  • El País

 

Covid-19: minúsculas e feminina

Após uma consulta a linguistas de referência, a conclusão à que cheguei é que a covid-19 é do sexo feminino e se escreve assim, com letras minúsculas. É feminina por já conter a palavra doença na sigla (embora em inglês), sendo co = corona, vi = virus (vírus), d = disease (doença) e 19 = 2019. E se escreve com letras minúsculas porque, com o tempo, deixa de ser sigla e passa a designar a doença. Dizer a covid-19, portanto, é o mesmo que dizer a doença causada pelo coronavírus descoberto em 2019.

Até a próxima!

Fontes: Blog da Dad; Na ponta da língua; Ciberdúvidas da língua portuguesa; Manual de comunicação do Senado.

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Aprendizado profundo

Outro dia li por acaso um artigo sobre deep learning (aprendizado profundo) aplicado aos idiomas. Segundo o autor do artigo, é mais proveitoso focalizar um tema gramatical que queremos interiorizar e escrever num caderno, sem a ajuda de ninguém, o máximo de frases que pudermos do que ter um professor que corrija cada erro que cometamos. É importante que sejamos nós os autores das frases, sem copiarmos exemplos da internet ou de livros.

Um exemplo: estamos aprendendo inglês e queremos acabar de uma vez por todas com as dúvidas sobre quando utilizar in, at, on. Escrevemos 10, 50, 100, 1.000 frases usando cada uma dessas preposições. Quanto mais, melhor.

Fiz o teste e estou gostando dos resultados, mas ainda tenho as minhas dúvidas de se o método pode mesmo substituir o contato com o professor. Embora acredite no esforço pessoal e autodidata para aprender qualquer coisa, ainda sou dos que pensam que um bom professor continua sendo insubstituível. De toda forma, fica a dica, porque esse método pode ser realmente eficaz. Até a próxima!

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Coronavírus: glossário

Antes de mais nada, espero que estejam todos sãos e salvos nesta crise sanitária mundial. Aqui na Espanha, o estado de emergência declarado no dia 14 de março teria duração de 15 dias, mas foi ampliado por mais 15, portanto estaremos confinados até o dia 12 de abril (por enquanto). “A gente vai levando”, como na canção.

E como o assunto ultimamente tem sido o mesmo no mundo todo, na área da tradução não seria diferente. Estamos traduzindo circulares, notícias, recomendações. Hoje, li uma notícia no The Economist sobre o grande volume de artigos científicos que estão sendo publicados sobre o coronavírus: só nos primeiros 80 dias deste ano foram 1.245. Partindo das traduções que fiz até agora, pensei em compilar alguns termos básicos e publicar aqui um miniglossário. Minha ideia é ir ampliando-o e publicando atualizações aqui. Vamos lá para o primeiro lote:

 

Inglês Espanhol Português
closure cierre fechamento
coronavirus coronavirus coronavírus
cough toser tossir
cough tos tosse
disposable tissue pañuelo desechable lenço descartável
economic slowdown desaceleración económica desaceleração econômica
expert experto especialista
face mask, mask mascarilla máscara
fever fiebre febre
gloves guantes luvas
lockdown confinamiento confinamento
outbreak brote surto
pandemic pandemia pandemia
recession recesión recessão
shortness of breath falta de aire falta de ar
slowdown desaceleración desaceleração
sneeze estornudar espirrar
state of emergency estado de alarma estado de emergência
test test teste
war economy economía de guerra economia de guerra

 

Nos homônimos (mesma grafia) ou parônimos (grafia parecida), temos que prestar atenção na pronúncia. Por exemplo, pandemia em espanhol se pronuncia “pand(ê)mia”, mas em português se pronuncia “pandem(í)a”.

Cuidem-se e até a próxima!

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Rapidinhas (4)

  • de las narices <> chato

Aqui na Espanha, na linguagem coloquial, usam uma expressão engraçada quando querem se referir a pessoa ou coisa chata, aborrecida, irritante: de las narices. Exemplos: ayer hablé con el Fulano de las narices; tengo que leer este libro de las narices. Em português diríamos: ontem falei com o chato do Fulano; tenho que ler esse livro chato.

Até a próxima!

O ataque ÀS crases invasoras (2)

 

Voltamos à nossa análise do acento grave indicador de crase, inspirada no livro Decifrando a crase, de Celso Luft. Vamos lá!

Outro dia li na imprensa esportiva:

Entre 11 de agosto e 26 de setembro, foram apenas oito jogos *a frente da equipe mineira, com duas vitórias, dois empates e quatro derrotas, totalizando um aproveitamento de 33,33%.

Oitos jogos a frente da equipe mineira ou à frente da equipe mineira? Se aplicarmos uma das técnicas que nos ensina Celso Luft, a da masculinização, a solução fica fácil. A técnica consiste em substituir o substantivo feminino por um masculino equivalente. Feita a substituição, veremos se será necessário somente o artigo definido o, ou a contração entre uma preposição e o artigo masculino = ao/no/pelo. Vejamos como fica se substituirmos frente por comando:

(….) oito jogos no/ao comando da equipe mineira (…)

Se foi necessário usar preposição + artigo no caso masculino, no caso feminino também será. Portanto, a frase correta seria:

Entre 11 de agosto e 26 de setembro, foram apenas oito jogos à frente da equipe mineira, com duas vitórias, dois empates e quatro derrotas, totalizando um aproveitamento de 33,33%.

Aliás, trata-se de uma das expressões femininas para as quais a língua pede acento grave, como à espera, à noite, à força, à vontade, à instância de, à faca, entre outras.

Até a próxima!

Hipérbatos

 

Segundo Celso Cunha (Nova Gramática do Português Contemporâneo, 2013), hipérbato é a “inversão da ordem normal das palavras na oração, ou da ordem das orações no período, com finalidade expressiva.” Foi uma figura de linguagem muito utilizada na poesia barroca.

Um dos exemplos mais clássicos para nós, brasileiros, de uso do hipérbato é o nosso hino. Logo no início, temos: “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heroico o brado retumbante”. Desconstruindo os hipérbatos: as margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico.

Ainda hoje, o hipérbato não deixa de ser um recurso da língua para quem precisar de uma passagem expressiva num texto, numa poesia, numa tradução. No meu caso, já tive de recorrer a hipérbatos para traduzir diálogos de um jogo de videogame. O personagem falava como o Yoda, de Guerra nas Estrelas.

E o que seria das canções, dos poemas, sem essa figura de linguagem? No samba “O mundo é um moinho”, de Cartola, lá está o hipérbato (em negrito): “Preste atenção, querida. De cada amor tu herdarás só o cinismo”.

Voltando ao hino, compartilho aqui uma versão interpretada que achei no blog da Dad Squarisi. Mais exemplos de hipérbatos serão bem-vindos. Até a próxima!