Regência: um dos caminhos para evitar o “portunhol” (1)

Uma diferença sutil mas importante entre o português e o espanhol é a diferença de regência, tanto verbal como nominal. Muitas vezes percebo que o falante de espanhol é português ou brasileiro (um deles sendo eu mesmo) pela influência da regência do idioma nativo, e vice-versa.
 
Hoje quero inaugurar uma série de pequenas postagens sobre essas diferenças. Vou utilizar, entre parênteses, as siglas (es) para espanhol e (pt) para português, e exemplificar com passagens de jornais e livros. Entre minhas obras de referência estarão o Dicionário de regência verbal, de Celso Luft, e El libro del español correcto, do Instituto Cervantes.
 
1. Diferente a (es) x diferente de (pt)
 
O espanhol permite a regência “diferente a”. Já em português, dizemos sobretudo “diferente de”:
 
(es) “Boston es diferente a las ciudades americanas…” (jornal ABC), “La Italia de hace treinta años es muy diferente a la actual…” (jornal El País);
 
(pt) “— Dei uma caminhada grande; mas, sim, senhor, isto aqui é bonito, é curioso; aquelas praias, aquelas ruas, é diferente dos outros bairros.” (Quincas Borba, de Machado de Assis), “Descobrimos outro Brasil, tão diferente do Amazonas (…)” (Um solitário à espreita, de Milton Hatoum).