Hipérbatos

 

Segundo Celso Cunha (Nova Gramática do Português Contemporâneo, 2013), hipérbato é a “inversão da ordem normal das palavras na oração, ou da ordem das orações no período, com finalidade expressiva.” Foi uma figura de linguagem muito utilizada na poesia barroca.

Um dos exemplos mais clássicos para nós, brasileiros, de uso do hipérbato é o nosso hino. Logo no início, temos: “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heroico o brado retumbante”. Desconstruindo os hipérbatos: as margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico.

Ainda hoje, o hipérbato não deixa de ser um recurso da língua para quem precisar de uma passagem expressiva num texto, numa poesia, numa tradução. No meu caso, já tive de recorrer a hipérbatos para traduzir diálogos de um jogo de videogame. O personagem falava como o Yoda, de Guerra nas Estrelas.

E o que seria das canções, dos poemas, sem essa figura de linguagem? No samba “O mundo é um moinho”, de Cartola, lá está o hipérbato (em negrito): “Preste atenção, querida. De cada amor tu herdarás só o cinismo”.

Voltando ao hino, compartilho aqui uma versão interpretada que achei no blog da Dad Squarisi. Mais exemplos de hipérbatos serão bem-vindos. Até a próxima!